De acordo com Ernani Méro (1991), desde a primeira metade do século XVII havia no local onde hoje se encontra a Igreja de São Gonçalo Garcia uma ermida onde se faziam orações. Em 1682, os devotos do Mártir São Gonçalo Garcia construíram uma capela e, em 1758, iniciou-se a construção do templo às custas do Comandante Manuel Martins Ramos, procurador da Irmandade de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos. De sua localização central e próxima à ribeira se desdobraram tanto as dificuldades para a sua construção em terreno alagadiço, como também a sujeição constante do templo às diversas inundações do Rio São Francisco.

À de 1792, por exemplo, se seguiu uma “procissão de penitência” que fez, finalmente, o rio baixar (cf. Campos, 1953). Existem relatos sobre o desaparecimento da primeira imagem esculpida por um santeiro penedense, Cesário Procópio dos Mártires, para a procissão de Bom Jesus dos Navegantes, em função de uma dessas cheias que inundavam a igreja. Um pescador, preocupado com a inundação, teria retirado com sua canoa a imagem do altar da igreja para levá-la a outro local mais seguro. No entanto, a canoa teria virado e a imagem, então, desaparecido. Cesário Procópio faria, posteriormente, uma segunda imagem, que é a utilizada atualmente nas procissões, como veremos posteriormente. Segundo outro relato sobre esta inundação, uma “gitubarana” foi encontrada debaixo do altar de Nossa Senhora das Dores, na Igreja de São Gonçalo Garcia (Mero

1991: 163).

A capela primitiva foi construída pelos ermitões e, a atual começou a ser construída em 1758 quando a irmandade foi organizada. Como consta no pódio, a pedra fundamental foi lançada em dezembro de 1759. A fachada e o interior têm excelente trabalho de cantaria. As torres foram alteradas e comprometeram o equilíbrio original do monumento, os retábulos neoclássicos têm talha semelhante aos de Salvador, o lavabo da sacristia, de pedra calcárea, tem desenho rococó e carrancas são usadas nos pedestais das ombreiras da porta principal como nos retábulos protobarrocos espanhóis. O frontispício é trabalhado em pedra com motivos barrocos, os cortes de pequena profundidade lembram a ourivesaria. 

O altar-mor é em estilo barroco, lateralmente ao arco-cruzeiro, os dois altares de canto são em estilo neoclássico e os quatro altares colaterais são semelhantes à talha neoclássica de Salvador. Existem fotos dos detalhes mencionados.

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