Thursday, May 26, 2022
HomeNotíciasVendedor negro denuncia injúria racial após homem puxar seu cabelo e ameaçar...

Vendedor negro denuncia injúria racial após homem puxar seu cabelo e ameaçar tocar fogo dentro de loja de shopping em Maceió

O vendedor Luís Felipe Mesquita denunciou à polícia nesta quinta-feira (25) que sofreu injúria racial durante quatro meses, sempre no horário de trabalho na loja Centauro do Parque Shopping, em Cruz das Almas, Maceió. A vítima, que é negra, relatou que o caso mais grave foi quando o agressor, branco, entrou na loja na última terça-feira (16), puxou seu cabelo black power e falou: “Se eu tivesse fósforo, eu tocaria fogo em você”.



As agressões começaram de forma verbal e também gestual, mas com o passar do tempo foram se agravando até chegar ao puxão de cabelo e a ameaça, situação que foi presenciada por outros funcionários. Luís Felipe disse que relatou os ataques à Centauro e ao Parque Shopping, mas que nenhum dos dois estabelecimentos tomou providências.

A reportagem tenta contato com a loja. O Parque Shopping informou, por meio de nota, que “repudia qualquer forma de discriminação e se solidariza com Luís Felipe, funcionário de uma das lojas do empreendimento. O shopping esclarece que acolheu Luís Felipe no Serviço de Atendimento ao Consumidor, registrando as ocorrências. A administração do shopping reforça que está à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações”.

Em entrevista ao g1, a advogada da vítima, Else Freire, disse que o jovem estava bastante abalado e disponibilizou o relato feito por ele ao delegado do 6º Distrito Policial, onde a denúncia foi registrada.

“O agressor é um professor aposentado do curso de economia da Ufal. A gente [grupo de advogados] vai entrar na área cível, vai pedir uma reparação cível, vai pedir a reparação da loja, tem a parte criminal também. A gente fez um B.O., que já virou um inquérito. Quando o inquérito for concluído, vai ser remetido ao Ministério Público, que tem que formalizar a denúncia”, explicou a advogada da vítima.

Na denúncia, Luís Felipe contou que começou a trabalhar na loja no dia 2 de agosto, e como o estabelecimento não possui banheiro interno para os funcionários, tinha que utilizar o banheiro externo quando era preciso.

“Já nas primeiras semanas, comecei a notar a presença de um cliente do shopping que frequenta um estabelecimento perto desse banheiro, fazendo alguns gestos de tesoura, macaco e faca, mas que, por não o conhecer, em um primeiro momento, não achei que eram direcionados a mim. Com o passar das semanas, comecei a parar para observar a movimentação do homem para ver se seria direcionado a mim e percebi que realmente as agressões se dirigiam mim”, relatou.

A vítima conta que acionou a Polícia Militar na quinta-feira (19). Os policias foram ao local, mas “o shopping retirou o agressor pela saída VIP”. Por esse motivo, a PM não conseguiu fazer o flagrante.

Sem apoio da loja e do shopping, a vítima contou que se viu desamparada e com medo de sair nos momentos de intervalo ou para ir ao banheiro. “Eu pedia a uma amiga para verificar se ele [o agressor] estava lá ou não. Caso estivesse, não iria por medo de sofrer injúrias raciais e perseguição”.

Antes que as agressões chegassem a ser físicas, o jovem conta que, no final de agosto, o agressor foi falar diretamente com ele e usou expressões como “e aí, amigo macaco?”, “e aí, neguinho”.

“Toda vez que eu via o agressor, ficava com medo e travava. Por isso não conseguia reagir na hora, ao ponto de ser penalizado no trabalho por demorar muito no banheiro, situação que acontecia, porque ficava tentando me acalmar para tentar enfrentar o agressor e voltar ao trabalho”, relata Luís Felipe.

 

A vítima conta ainda que quando o agressor foi confrontado, tentou invalidar suas atitudes dizendo que “era coisa da cabeça” dele, que ela era “o amigo neguinho da Centauro”. O funcionário agredido disse que esse episódio de injúria foi presenciado por um segurança do shopping, que não agiu para defendê-lo.

No Boletim de Ocorrência registrado nesta tarde, consta que somente na última quinta-feira, quando a PM foi acionada, é que “o shopping veio se pronunciar se solidarizando. Que, embora já tivesse reclamado inúmeras vezes ao SAC e com diferentes gestores, os presentes na hora davam a entender que aquela era a primeira vez que ele estava falando sobre o assunto, o que não é verdade. Dos quatro gerentes de segurança presentes no shopping nesses quatros meses de trabalho na Centauro, a vítima falou com os quatro”.

Fonte: G1

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
Redimensione a fonte
Ads Blocker Image Powered by Code Help Pro
AdBlock Detectado!!!

Os anúncios ajudam nosso site, desative e continue tendo acesso a nosso conteúdo!

Desativei e quero contiuar